quarta-feira, 12 de maio de 2010

Meu Amor Eterno


Acordei chorando. Mal sabia eu que horas mais tarde daquele mesmo dia todos os meus valores mudariam e  o que me causava lágrimas deixaria de ter importância. 
Uma experiência até então oculta me deixava receber as contrações com calma e naturalidade. Experiência herdada de todas as mulheres da história. Animal consciente da sempre condição feminina, nada me assustava nem estranhava. A malinha aguardava carinhosa e pacientemente no canto do quarto, os telefones da médica grudados na geladeira, as pessoas que importavam pré-avisadas. Agora era só esperar a natureza seguir o seu curso.
Voltei a deitar na minha cama, a mesma que velou meus sonhos adolescentes. Tentei dormir meu último sono solteiro,  já saudosa de um passado cuja última página eu estava acabando de escrever.
Minha mãe dirigiu para o hospital. Íamos tranqüilas e felizes naquela noite de domingo, no ato de maior cumplicidade que já dividimos até hoje. Chegando lá, despedi com abraços apertados de todas as pessoas que foram me ver embarcar nesta jornada sem volta que é a maternidade.
Sozinha no vestiário, despi-me por completo e entendi toda a existência humana nas curvas do meu corpo grávido refletido no espelho. Senti a primeira pontada de medo por fazer parte de tudo isso que é a humanidade. Foi então que O vi, como o bom Pai que é, apontar o dedo para mim e dizer que não adiantava fazer pirraça. Nós iríamos passar por aquela experiência com ou sem choro. Ele, mais do que eu, sabia que eu estava pronta. E Ele esteve de mãos dadas comigo, o tempo todo.
Na sala de parto todos os medos foram embora. Minha mãe observava o ciclo da vida se formando da cabeceira do meu leito. Os médicos conversavam animados. A atmosfera estava repleta de otimismo.
Quando ouvi o choro do meu bebê, ainda longe dos meus olhos, toda a atividade do meu corpo saiu de seu prumo. A totalidade do meu ser extasiado gritava sua maravilhosa existência, de ventre aberto para o universo.
 Achei, de fato, que estivesse morrendo. Morrendo de alegria. Minha filha.


* Feliz dia das mães (porque hoje também é dia das mães, como ontem e amanhã). Nina Fiuza

10 comentários:

  1. Lindo, Nina. Feliz dia das mães atrasado pra você.

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  2. Lindo, e lindamente escrito, a maior e mais linda que uma mulher pode ter.

    Parabéns

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  3. Nina,

    estou te aplaudindo de pé! rs

    q texto lindo...

    vivi cada momento com vc,
    e não contive as lágrimas!!!

    EMOCIONANTE ser MÃE!!!

    Bjs
    da Li

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  4. Parabéns, Nina!!! bjos
    Paloma e Isa

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  5. ai Nina, pelo amor de Deus!

    Qdo acho que já li o seu texto mais lindo, vem outro incrível....tô aqui me debulhando em lágrimas.

    Você é uma poeta. Ninguén, ninguém nessa blogosfera materna escreve como vc.

    Parabéns por esse dom que Ele te deu.

    bjos da amiga e fã virtual

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  6. Lembrar do parto sempre me emociona... o meu ou de qquer outra mulher que o tenha valorizado tanto qto merece... LINDO!
    Obrigada e Feliz dia das Mães tbm!

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  7. Feliz todos os dias de mães e filhas!
    Lindo post (como sempre!) Adoro como você escreve, e me vejo nessas linhas.

    beijo

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  8. Lindo, Nina!
    Ah, tem prêmio pra vc lá no blog! Passa lá.
    Beijos.

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  9. Fernanda Bolsson30 de maio de 2010 07:04

    orecisava me fazer chorar???????????? bjs e mta saudade, fern

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