Comecei a sofrer com o dia do casamento por volta dos meus sete anos. Seria eu capaz de viver longe das sardas da minha mãe? Eu bem sabia que não e, se o casamento fosse algo irremediável, já estava decidido: seria vizinha da minha própria família. Talvez a preocupação precoce já antecipasse o fato de que eu, com uma aliança no dedo, estaria bem longe de tudo o que me é familiar.
Que surpresa eu tive quando percebi o valor da distância. Enxergar o mundo assim, só com o meu par de olhos, foi uma experiência reveladora. Será que eu teria me entendido esposa se estivesse acompanhada dos olhares pesados de quem conhece todo o meu passado? O fato é que tivemos todo o tempo e a liberdade para nos reinventarmos como uma nova e única família. Como foi bonito construir nosso ninho assim, dos nossos próprios vôos solitários.
Quando a família vem de longe nos visitar me encho de alegria e orgulho. Exibo meu território recém-conquistado como uma menininha ao mostrar a nota dez da prova para os pais depois da escola. E aí vou me impregnando de mim mesma, vou me aconchegando debaixo das confortáveis asas maternas.
Bem na hora em que relaxo as rédeas da vida que conduzo sozinha chega a hora da despedida. E então dói como da primeira vez. Serei eu capaz de viver longe das sardas da minha mãe? Com aquele excesso de razão que os adultos carregam, eu bem sei que sim.
Gostaria de aproveitar o post para agradecer o presente que ganhei da Mariana no sorteio que ela fez lá no Mãe da Rua. Recebi um kit de adesivos da Names2Glue que de tão lindos ainda não tive coragem de usar. Obrigada, Mariana! ;)











